A RED BULL NÃO LHE DARÁ ASAS

Desde os treinos livres do primeiro Grande Prêmio do ano, já era possível antecipar o quão Sebastinan Vettel seria mais rápido em relação aos demais. Salvo o talento do jovem alemão, em diversos momentos dos treinos ficava escancarada a superioridade do carro do número 1 da Red Bull.  

Vettel estava em um patamar tão superior que, em determinado momento do último treino, antes do classificatório, conseguiu ser o mais rápido, mesmo utilizando pneus duros, enquanto seus oponentes já “calçavam” os macios. O acerto do carro do atual campeão do mundo dava a impressão de uma aderência sublime, que ficava evidente, sobretudo, na penúltima curva do circuito australiano.

Na vida, geralmente, quanto mais você conhece sobre um assunto, menos se surpreende com algo relacionado a ele. Pois a classificação do GP da Austrália tratou de atestar que isso pode até ser verdade, mas jamais será uma regra. A diferença absurda de tempo entre Vettel e os demais pilotos, com certeza, assombrou mais aqueles que conhecem do assunto do que um mero torcedor casual.

Na corrida, tudo se confirmou. A primeira volta de Vettel já foi o prenúncio de quem seria o dono absoluto da prova. E após 58 voltas, 22 segundos separaram o vencedor do segundo colocado e apenas cinco pilotos não receberam de presente uma volta do alemão. 

Vettel foi perfeito. Andou rápido quando necessário, controlou o desgaste dos pneus sem se preocupar com o retrovisor, não errou e venceu com a postura dos grandes campeões.

E para fechar a conta, o mais incrível talvez não fora a diferença do atual campeão para todos os outros pilotos, mas sim o enorme vão que o separou do seu companheiro de equipe. Sebastian é mais talentoso e rápido do que Mark Webber, mas não para isso tudo a bordo do mesmo carro.

O australiano, diante da sua torcida, desde o primeiro dia de treinos, em nenhum momento ensaiou qualquer possibilidade de vitória. Posso até estar enganado, mas o discurso da Red Bull de não ter primeiro piloto caiu após essa primeira corrida do ano. Até acredito que dentro das pistas a equipe não determinará a inversão de posições entre seus pilotos, mas que o carro do alemão será tratado com mais carinho do que o do australiano, eu não tenho dúvidas.

E se Webber, com o passar do tempo, começar a se perguntar por que não consegue chegar próximo dos tempos do companheiro, o título desse texto começará a fazer bastante sentido também para ele.

Novas regras, desprovidas mudanças
Pobres aqueles que acreditam que o retorno do kers e agora a tal da asa móvel irá aumentar o número de ultrapassagens. Impressionante como a própria Fórmula 1 não entende o seu real problema. E assim padece daquela máxima: “Quem não reconhece as próprias imperfeições jamais mudará”.

Há anos, os carros da F1 se tornaram dependentes ao extremo da pressão aerodinâmica. Desde o surgimento e aprimoramento dos túneis de vento, as equipes iniciaram um profundo estudo científico em busca do aproveitamento perfeito da passagem do ar pelos carros. Com o tempo, e após investirem bilhões nesses estudos, atingiram quase a perfeição.

Porém, toda essa eficiência aerodinâmica só funciona perfeitamente quando o piloto tem todo o ar disponível apenas para ele. Ao contrário, passa a ter um monstro nas mãos. Por mais aderentes que sejam os pneus de um carro da F1, e por mais bem acertado que esteja para uma pista, quando há, por algum instante, a perda parcial do ar, o carro se torna extremamente instável e perigoso.

Você percebeu quantas vezes durante a corrida deste domingo os pilotos que acionavam a asa móvel saiam da linha do carro à frente? E será por quê? Simples. Se na ausência de ar, há perda considerável de equilíbrio, o carro deve ficar muito mais instável quando o piloto, neste momento, diminui ainda mais o seu arrasto aerodinâmico. 

A asa móvel pode até ajudar em eventuais ultrapassagens, porém apenas quando envolver dois carros com desempenhos muito distintos e em pistas com retas muito longas. Entre dois carros semelhantes, é melhor esquecermos. A boa briga entre Massa e Button nas primeiras voltas da corrida comprova isso. Button era bem mais rápido. Acionava o dispositivo da asa móvel, mas Massa defendia a posição e nada acontecia. A briga seria idêntica sem esse sistema.

Já sobre o kers, penso que nem deveríamos perder muito tempo com isso. Para falar a verdade, nem mesmo o relançamento do fusca, na época do governo Itamar Franco, foi um feito tão ridículo. O kers não aumenta o número de ultrapassagens, pois o acionamento do sistema é feito de forma muito semelhante pelos pilotos; sempre na saída das curvas de baixa, na entrada das grandes retas e praticamente nos mesmos pontos da pista.

O GP da Austrália serviu para que apenas eu consolidasse a minha opinião. Para a F1 voltar a reviver constantes ultrapassagens é necessário, antes de tudo, criar condições para que os carros andem próximos e diminuir a eficiência dos freios. O problema é que muitos acreditam que mudanças nesse sentido seria o mesmo que abraçar o atraso. É a mesma posição, por exemplo, de quem acha que a solução talvez seja criar chuva artificial.

Há louco para todos os gostos.

8 comentários:

  1. O grande problema é que ao invés de usarem a aerodinâmica para tornarem seus carros mais rápidos, a usam para atrapalhar também o carro que vem atrás, causando turbulencia. Em suma, eu acredito que ao invés de inventar fórmulas mirabolantes como "pontos de ultrapassagens", asas móveis etc, a FIA deveria apenas limitar os uso de aerodinamica, como era feito nos finais dos anos 80, início de 90. Isso sim seria uma solução.

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  2. Belo texto Bruno, mas eu acho que o Kers foi o que ajudou Massa na defesa de Button. Não sei se vc viu mas chegava no final da volta Massa ainda tava com "meio-kers" e Button já tinha gastado tudo. Então, mesmo não podendo abrir a asa, massa se defendia com o resto do Kers, que Button não soube usar.
    Ainda acho cedo algum prognostico em relação as mudanças, apesar de achar que todo o problema da F1 se resume em uma palavra: FREIO!!

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  3. Não vi a corrida, por isso não posso emitir uma opnião embasada para contribuir para o artigo.

    Mas o seu texto foi muito bom, simples, informativo e honesto, considere um leitor ganho :)

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  4. belo texto Bruno!
    chuva artificial e atalho na pista ftw! hehehe

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  5. @Rafael Sanque

    É isso, Sanque. Eles criaram um monstro, que agora não sabem mais como domá-lo.

    Valeu!

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  6. @Nobrega

    Sepang será o grande teste.

    Valeu, Nóbrega!

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