Após um bom tempo, vi algo diferente e animador na Fórmula 1. E já adianto. Não se trata das ultrapassagens facilitadas pela “asa móvel” e pelo Kers, porque, apesar de assistir ultrapassagens nítidas sob a influência desses dispositivos, não engoli nem um dos dois ainda.
Confesso que não consigo entender a “asa móvel”. Pra mim, repito o que disse no post anterior: a lógica desse sistema é a mesma que obrigar um piloto a diminuir a velocidade do carro na reta dos boxes, a partir do momento que houver alguém atrás e a menos de um segundo de diferença dele. Se alguém quiser me explicar porque não seria a mesma coisa, agradeço.
O que me encheu os olhos nessa corrida, de verdade, foram as disputas oriundas das variações de desempenho frente ao desgaste dos pneus dos carros. Isso, sim, propicia uma disputa justa. A badalação em torno da “asa móvel” e do retorno do Kers é tão grande, que estão atribuindo a maioria das ultrapassagens ao uso desses dispositivos e estão se esquecendo de analisar o quanto os pneus foram responsáveis pelas mudanças de posição em Sepang.
A ultrapassagem mais bonita do Grande Prêmio da Malásia foi, sem dúvida, a de Mark Webber sobre Felipe Massa. Busque na internet, reveja, observe atentamente a manobra do australiano. Neste caso, não houve interferência alguma da asa aberta. Webber freia ainda com o seu carro atrás do de Massa, mergulha por fora na curva 1, contorna, mantendo-se por fora o tempo todo e, por contar com pneus melhores naquele instante, consegue chegar à curva 2 à frente de Felipe. Uma belíssima ultrapassagem, com sabor nostálgico.
Quer mais um exemplo? Fernando Alonso, mesmo sem conseguir abrir a asa a partir da metade da corrida (quero ver o dia em que ela começar a não fechar), diante do mau rendimento dos pneus de Hamilton, se aproximou do maior rival, proporcionou a todos uma belíssima disputa e, quando parecia que faria uma linda ultrapassagem, errou ao tocar o bico do seu carro na roda traseira direita da McLaren do inglês. Mas o resumo da história é o mesmo: os pneus fizeram a diferença, não a asa.
Portanto, uma boa análise desses fatos por parte dos dirigentes da F1 poderia fazer, quem sabe, com que eles chegassem à conclusão de que deveriam reduzir a dependência dos carros da pressão aerodinâmica e resgatar o efeito solo. Com certeza, mudaria bem a cara da Fórmula 1 atual. E para melhor.
A corrida
Vettel mais uma vez venceu com propriedade. A sobra do alemão dessa vez não chegou a ficar em migalhas, mas também não foi um boi inteiro como na Austrália. Button, que chegou a menos de quatro segundos do vencedor da prova, esteve bem mais atrás até a metade da corrida, e talvez até sonhasse com uma vitória caso já tivesse largado atrás do atual campeão do mundo.
Surpresa, que parece não ser mais um termo adequado para este caso, foi novamente o bom desempenho das Renaults. Dessa vez, foi Heidfeld quem brilhou. Após uma largada surpreendente junto com seu companheiro Petrov, o alemão andou muito bem, cuidou perfeitamente dos pneus e foi ousado quando necessário.
A Ferrari poderia ter saído com um resultado bem melhor, mas errou no primeiro pit stop de Massa e viu Alonso também errar feio ao tentar ultrapassar Hamilton. Acredito que a Ferrari até evolua um pouco mais nas próximas corridas, mas acho difícil andar mais que a Mclaren na temporada e quase impossível render mais que a Red Bull.
Brasileiros
Felipe Massa, apesar de sofrer com mais um erro da sua equipe, fez uma excelente corrida. E o melhor disso? Talvez esteja adaptando-se melhor aos pneus, quem sabe achou a motivação e coragem que parecia ter perdido, guiçá fora apenas um lampejo. Mas, com certeza, provou que a maior bobagem que se pode dizer sobre ele é que o seu acidente em 2009 deixou-o com sequelas que minaram sua capacidade de ser competitivo.
Já Barrichello, se já não bastasse um pneu furado logo no início da corrida, sofreu mais uma vez com um carro que, ao que tudo indica, lhe trará mais dores de cabeça do que qualquer esperança.
Será que na China a Williams finalmente abrirá os olhos?
Quem novamente madrugar verá.
Belo texto navamente Bruno.. bom.. sobre a asa móvel não podemos esquecer que o piloto da frente tem o Kers pra se defender.. se ele souber usar durante toda a volta pode ter mais tempo de kers que o piloto de tras. Então não seria a mesma coisa que tirar o pé para outro passar rsrsrs
ResponderExcluir@Nóbrega
ResponderExcluirObrigado, Nóbrega!
Isso é verdade, mas lembrando que o piloto de trás tem o Kers também. E vale ressaltar que a asa móvel, até agora, só foi permitada usar na reta principal. Visto que o Kers se recarrega sempre quando o piloto passa pela linha de chegada, ambos ficam com Kers cheio, mas a asa só pode ser acionada pelo piloto de trás. Ou seja, em tese, o de trás tem uma vantagem que o da frente não tem. Pra mim, injusto e errado quando falamos e competição.
Abraço